existe qualquer disposição na Lei da Assistência Jurídica (processos
penais) (Lei 21 de 1969) segundo a qual o arguido deve solicitar a
assistência jurídica para que esta lhe seja concedida.
79. Baseando-se no caso Moses Muhagama Laurence c. Governo de Zanzibar,
o Peticionário alega que a leitura propositada da Secção 3 da Lei de
Assistência Jurídica (processos penais) (Lei 21 de 1969) é no sentido de
que “...um arguido sem condições tem o direito legal de receber assistência
jurídica gratuita e de ser informado desse direito pelo Tribunal” Por
conseguinte, o Peticionário alega que o seu direito à assistência jurídica
gratuita foi violado pelo Estado Demandado.
80. O Estado Demandado refuta a alegação do Peticionário, argumentando
que este não apresentou a questão da recusa de assistência jurídica
gratuita perante os tribunais nacionais e, portanto, a está apresentando
pela primeira vez perante este Tribunal.
81. Além disso, o Estado Demandado argumenta que a prestação de
assistência jurídica gratuita só é obrigatória por lei nos casos em que o
arguido tenha sido acusado de homicídio involuntário, homicídio ou traição.
O Estado Demandado alega, portanto, que para todas as outras infracções,
o peticionário deve solicitar assistência jurídica gratuita para que o tribunal
de primeira instância a considere, o que o Peticionário no presente caso
não fez. Por conseguinte, pede ao Tribunal que refute esta alegação.
***
82. O n.º 1, alínea (c) do artigo 7.º da Carta dispõe o seguinte: «todo o indivíduo
tem o direito a que a sua causa seja apreciada. Esse direito compreende:
… c) o direito de defesa, incluindo o direito de ser assistido por um
advogado da sua escolha».
83. O Tribunal reconhece que a alínea c) do n.° 1 do Artigo 7.° da Carta não
prevê explicitamente o direito à assistência jurídica gratuita. O Tribunal, no
entanto, interpretou o n.º 1 , alínea (c), do artigo 7.º da Carta à luz do n.º 3
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