53. Na presente comunicação, o autor da comunicação está baseado no Canadá, alegando violações dos direitos humanos no Estado Respondente na sequência de um incidente ocorrido no país. O Queixoso não esconde o facto de que os recursos e instâncias de Direito Interno não foram tentados, mas argumentou que a procura de recursos e instâncias de Direito Interno no Estado Respondente seria inútil "devido à falta de um sistema judicial independente e imparcial, à falta de um recurso e instância de Direito Interno eficiente, à probabilidade significativa de um recurso e, mais importante ainda, ao potencial de violência contra os Anuaques ou aqueles que os apoiam dentro do sistema legal". O Queixoso argumentou que as violações ocorridas em Gambella foram maciças e graves e envolveram muitas pessoas; observou que "as forças governamentais e seus colaboradores, tendo previamente elaborado uma lista de alvos, foram de porta em porta, matando todos os homens instruídos dos Anuaques que encontraram, mulheres e crianças foram violadas, e casas e escolas foram queimadas até o chão...". 54. O Queixoso observou ainda que o poder judicial no Estado Respondente não é independente devido à interferência ao nível do Estado onde existem relatos de funcionários administrativos a interferir com as decisões do tribunal, despedimento de juízes, ditando decisões aos juízes, reduzindo os salários dos juízes e recusando-se deliberadamente a executar determinadas decisões dos tribunais; e que levar o caso aos tribunais etíopes seria prolongar indevidamente o processo, uma vez que o sistema judicial etíope sofre de "um sistema complexo de tribunais múltiplos que carece de coordenação e de recursos", incluindo "condições de serviço sombrias, falta de pessoal, falta de formação adequada, infraestruturas debilitantes e problemas logísticos". O Queixoso afirma que os procedimentos judiciais "levam anos a produzir resultados" e concluiu que o sistema judicial do Estado Respondente está "tão subfinanciado que as acusações seriam quase impossíveis". 55. O Queixoso também alega que os Anuaques temem pela sua segurança ao apresentarem o caso na Etiópia, acrescentando que não existem Anuaques formados como advogados que possam levar o caso aos tribunais etíopes. O Queixoso concluiu afirmando que levar o caso ao Estado Respondente só poria ainda mais em perigo as vidas dos restantes Anuaques na Etiópia. O Queixoso acrescentou que o Estado Respondente tinha sido notificado e dispunha de tempo suficiente para remediar as violações dos direitos humanos contra a Anuak, mas não o fez de todo. 56. Pode a Comissão concluir, com base nas alegações acima referidas do queixoso, que os recursos locais no Estado Respondente não estão disponíveis, são ineficazes ou insuficientes? 57. Deve observar-se aqui que as alegações do Queixoso parecem sugerir que os recursos e instâncias de Direito Interno podem, de facto, estar disponíveis, mas está apreensivo quanto à sua eficácia no que respeita ao presente caso. Das contribuições do Queixoso, é evidente que o Queixoso se baseou em relatórios, incluindo um relatório do Banco Mundial que concluiu que "dos três ramos do governo, o poder judicial tem a menor história e experiência de independência e, por isso, requer um reforço significativo para obter uma verdadeira independência". 58. As alegações do Queixoso também demonstram que está apreensivo quanto ao sucesso dos recursos e instâncias de Direito Interno, quer devido ao receio pela segurança dos advogados, quer devido à falta de independência do poder judicial, quer devido aos

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