beneficiado das disposições da Secção 20(1) da Constituição se o seu pai, nascido no território do protetorado e com o estatuto de pessoa protegida pela coroa, estivesse vivo na altura da independência do Botsuana. John K. Modise não preenche as condições do Artigo 20(2) porque, tendo nascido na África do Sul, é, por esse facto, um cidadão sul-africano por simples aplicação da lei e sem ter de tomar quaisquer medidas legais para provar a sua nacionalidade. Assim, em 1966, ele não foi um sujeito de Sua Majestade Britânica e de suas colônias, nem uma pessoa protegida da coroa inglesa. A África do Sul não era, em 1966, uma colónia britânica. Por conseguinte, não preenchia as condições exigidas para adquirir a nacionalidade do Botsuana nos termos do n.º 2 do artigo 20. 72. O n.o 1 do artigo 23.o diz respeito ao caso dos indivíduos que se encontravam numa situação semelhante à do Sr. Modise: na medida em que previa a possibilidade de adquirir a nacionalidade do Botsuana às pessoas cujos pais tinham adquirido essa nacionalidade em conformidade com o n.o 1 do artigo 20.o ; mas mesmo os filhos dessas pessoas foram excluídos à luz das disposições do n.o 2 do mesmo artigo. Uma vez que M. Modise, por força das disposições legais, não podia invocar a nacionalidade do novo Estado do Botsuana nem por nascimento nem por filiação [§ 20, n.o 2], a lei deu-lhe a possibilidade de escolher essa nacionalidade por naturalização[ § 23, n.o 1]. Este texto prevê que todas as pessoas que tenham atingido a maioridade devem requerer a sua naturalização antes de 1 de Outubro de 1968. Parece que o Sr. Modise, que tinha 33 anos nessa data, não tinha aproveitado essa possibilidade que lhe estava aberta por um período de dois anos. Isto explica as suas dificuldades atuais, uma vez que, uma vez que não tinha tomado as medidas necessárias para a sua naturalização, aos olhos da lei considerou-se que não estava interessado. 73. O argumento do Sr. Modise e do seu advogado de que ele era um cidadão do Botsuana por nascimento e por filiação parece, de facto, ténue. Nos termos das disposições legais em vigor em Setembro de 1966, não podia invocar a referida nacionalidade. Ele nasceu na África do Sul e não no protetorado de Bechuanaland. Ele não podia reivindicar a nacionalidade do Botswana por parentesco porque foi explicitamente excluído do Artigo 20(2). A afirmação de que nunca reivindicou qualquer outra nacionalidade é totalmente irrelevante - pois não tinha qualquer razão para o fazer. Tendo nascido na África do Sul, ele automaticamente gozava da nacionalidade daquele país. Que o desqualificou automaticamente de possuir a nacionalidade do Botswana em conformidade com a Secção 20(2). Poderia, contudo, em virtude das disposições do n.º 1 do artigo 23º, ter optado pela referida nacionalidade, mas não o fez. O Estado do Botsuana ofereceu a todos e a todos a possibilidade de fazer uma escolha consciente entre manter a sua nacionalidade por nascimento e naturalização como cidadão do novo Estado do Botsuana. O senhor deputado John Modise não podia, a este respeito, esconder-se atrás da desculpa da ignorância, porque ninguém pode ignorar a lei. 74. Em reação às alegações acima referidas do Estado Respondente, o representante legal do Queixoso sustentou que tais alegações continham várias alegações adversas de factos, direito e de factos e leis mistos que eram falsos, contraditórios e contestados. 75. Contestou a alegação de que, quando o Sr. Modise foi deportado para a África do Sul, as autoridades do país o aceitaram como cidadão. Salientou que o Sr. Modise foi deportado pela primeira vez do Botsuana para a África do Sul em 17 de Outubro de 1978, em conformidade com uma diretiva emitida em 16 de Outubro de 1978 pelo Secretário Permanente no Gabinete do Presidente do Estado Respondente. Ao regressar ao Botsuana quatro dias mais tarde, a 21 de Outubro de 1978, foi detido e acusado de reentrar no Botsuana, ao mesmo tempo que era um imigrante proibido. 76. A questão de saber se a África do Sul aceitou ou não o Sr. Modise como nacional foi diretamente abordada na

Select target paragraph3