*** 75. O Tribunal observa que, embora o Peticionário levante a questão da correcta identificação, a sua alegação é que a forma como essa questão foi examinada resultou numa violação dos seus direitos à não discriminação, à igualdade perante a lei, à igual protecção da lei e ao direito de ter a sua causa julgada. Tendo em conta que a alegada violação diz respeito ao direito a um julgamento imparcial, o Tribunal avaliará primeiramente se os procedimentos no presente caso foram conduzidos de acordo com o n.º 1 do Artigo 7.º da Carta, antes de avaliar as alegadas violações dos Artigos 2.º e 3.º da Carta. 76. O Tribunal observa igualmente que quando a identificação visual é usada como fonte de prova para condenar uma pessoa, todas as circunstâncias de possíveis erros devem ser acauteladas e a identidade do suspeito deve ser estabelecida com rigorosa exactidão. Consequentemente, a identificação deve ser corroborada por outros elementos de prova circunstanciais e deve fazer parte de uma narrativa coerente e consistente do local do crime.26 77. No caso sub judice, o Tribunal constata a partir dos autos processuais que a acusação se baseou em quatro (4) testemunhas para fundamentar o seu argumento. Conforme as decisões do Tribunal Distrital, do Tribunal Superior e do Tribunal de Recurso,27 a vítima, Testemunha 1, prestou o seu depoimento indicando que foi invadida por três (3) pessoas que, ao entrarem no quarto, acenderam a luz solar. As decisões dos três (3) tribunais internos também indicam que a Testemunha 1 apresentou um relato claro do que aconteceu quando o Peticionário e outras duas pessoas entraram na sala e declarou que ela identificou claramente o Peticionário, que era seu vizinho e bem conhecido por ela. 28 Além disso, conforme 26 Kenedy Ivan c. República Unida da Tanzânia (mérito e reparações) (28 de Março de 2019) 3 AFCLR 48, parágrafo 64. 27 República c. Jackson S/O Godwin, Processo Penal N.º. 44/2013, supra, páginas 25-28; Jackson Godwin c. República, Recurso Penal N.º 45 de 2014, supra, páginas 2-3; e Jackson Godwin c. The Republic, Recurso Penal N.º 278 de 2015, 16 de Fevereiro de 2016, páginas 3-5. 28 Ibid. 20

Select target paragraph3