, alínea (d), do Artigo14.º do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e
Políticos (doravante designada por «PIDCP),13 e determinou que o direito à
defesa inclui o direito à assistência jurídica gratuita.14 O Tribunal também
considerou que uma pessoa acusada de uma infração penal tem direito a
assistência jurídica gratuita sem a ter solicitado, desde que o interesse da
justiça assim o exija. É o que acontece quando o arguido é indigente e é
acusado de uma infração grave que implica uma pena severa.15
84. No caso em apreço, o Tribunal observa que o Peticionário não beneficiou
de assistência jurídica gratuita durante todo o processo nos tribunais
nacionais. O Tribunal observa ainda que o Estado Demandado não
contesta que a infração é grave e que a pena prevista na lei é severa. No
entanto, alega que a assistência jurídica gratuita só é concedida a um
arguido que tenha sido acusado de homicídio involuntário, homicídio ou
traição e, além disso, que o Peticionário devia ter solicitado assistência
jurídica gratuita.
85. O Tribunal observa, contudo, que o Peticionário foi acusado do crime grave
de violação, que implica uma pena severa de prisão perpétua. Assim, o
interesse da justiça justificava que lhe fosse prestada assistência jurídica
gratuita mesmo sem que ele a tivesse solicitado.16
86. Ao não providenciar uma representação legal gratuita ao Peticionário, Por
conseguinte, o Tribunal conclui que o Estado Demandado violou o n.º 1,
alínea (c), do artigo 7.º da Carta, conforme lido em conjunto com o n.º 3 ,
alínea (d), do Artigo 14.º do PIDCP.
87. Tendo constatado a violação do artigo 7.º, n.º 1, alínea c), da Carta, o
Tribunal observa que, para além do seu pedido específico de considerar
que houve uma violação do direito à assistência jurídica gratuita, o
13
O Estado Demandado tornou-se Estado Parte no ICCPR a 11 de Junho de 1976.
Thomas c. Tanzânia (mérito), supra, § 114; Kijiji Isiaga c. República Unida da Tanzânia (mérito) (21
de Março de 2018) 2 AfCLR 218, § 72; Onyachi e Outro c. Tanzânia (mérito), supra, § 104.
15 Thomas c. Tanzânia (méritos), ibid, § 123; ver também Abubakari c. Tanzânia (mérito), supra, §§
138-139.
16 Ibid.
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