as disposições relativas ao Regulamento sobre Livre Circulação e Estabelecimento dos Advogados
Cidadãos da União no Espaço UEMOA".
O Tribunal deve antes de tudo lembrar que não tem qualquer mandato para agir como guardião da
legalidade de uma organização irmã como a UEMOA. Em todos os casos, foi solicitado a interferir
nas relações entre órgãos da UEMOA, ou a assumir o papel de qualquer órgão da UEMOA,
notadamente o Tribunal de Justiça da UEMOA, o Tribunal de Justiça da CEDEAO declinou a
competência na matéria, levando em devida consideração essas ordens jurídicas ou judiciais
alternativas.
Será apropriado lembrar que em seu julgamento de 4 de março de 2010 sobre o caso relativo ao Dr.
Mahamat Seid Abazene contra a República de Mali, o Tribunal declarou que a demissão do Dr.
Mahamat Seid Abazene tinha a ver com uma disputa de serviço público dentro da União Africana e
que o Tribunal de Justiça da CEDEAO não tinha jurisdição para examinar tal disputa. Além disso, o
Tribunal, em seu acórdão de 8 de fevereiro de 2011, proferido no processo El-Hadji Tidjani
Aboubacar v. BCEAO e República do Níger, declarou que: "... se o Honorável Tribunal não
declinar sua jurisdição declarada rationae materiae, será inevitavelmente levado a assumir um
direito do qual é depositário e cuja implementação é conferida expressa e inequivocamente a outro
Tribunal Regional". (§31). No parágrafo 32 da mesma sentença, o Tribunal conclui assim: "O
Tribunal também é de opinião que, embora sua competência rationae materiae seja relevante, cabe a
ele declinar essa competência em vista da competência exclusiva do Tribunal de Justiça da
UEMOA sobre os fatos do caso em questão".
O Tribunal deve reafirmar essa posição de princípio no caso em questão. O Tribunal de Justiça da
CEDEAO não tem mandato para vigiar um sistema jurídico obtido na mesma sub-região, mas para
o qual são previstos mecanismos específicos de sanção. O Tribunal de Justiça da CEDEAO não
pode, portanto, arrogar-se o dever relativo à observância do Regulamento de Processo da UEMOA.
Entretanto, por um escopo mais geral de princípios, o direito de escolher o advogado constitui hoje
um componente inegável dos direitos de defesa, uma prerrogativa que surge dos "direitos
humanos". O direito irrestrito de escolher um representante ou advogado perante um tribunal é
assim consagrado por ele:
- A Comissão Africana de Direitos Humanos, em sua Comunicação No. 48/90, na Anistia
Internacional v. Sudão: "O direito de escolher livremente um advogado é essencial para a garantia
de um julgamento justo. Dar ao tribunal o poder de vetar a escolha do advogado dos réus é uma
violação inaceitável deste direito". (§64);
- O Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, ao examinar o significado e o alcance do
Artigo 14 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, foi da opinião de que o direito de
escolher o advogado de alguém: "... se aplica a todos os tribunais e tribunais no âmbito desse artigo,
sejam eles ordinários ou especializados, civis ou militares". (Comentário Geral Nº 32, Direito à
igualdade perante os tribunais e a um julgamento justo, 90ª Sessão (2007) do Comitê de Direitos
Humanos das Nações Unidas, Parte III, parágrafo 22).
Este último ponto, de qualquer forma, exorta a Corte a considerar outro aspecto do argumento
apresentado por Burkina Faso, igualmente analisado no decorrer da audiência de 7 de junho de
2016. Esse argumento consiste em dar ênfase especial à natureza peculiar do procedimento em
questão - como tendo sido iniciado com base no Código Marcial de Justiça, como aplicado a uma
pessoa militar e para crimes relacionados à "segurança do Estado" - de modo a avançar a alegação
de que as regras processuais normais podem não se aplicar ao caso em questão; simplesmente
colocando que a natureza "militar" e "política" do caso impede a aplicação do procedimento
criminal ordinário, e justifica as restrições impostas aos direitos de defesa. Foi em virtude desse
ponto de vista estritamente definido, baseado na natureza excepcional do contexto em que os