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61. O n.º 1, alínea (b) do artigo 7.º da Carta dispõe o seguinte:
Toda pessoa tem o direito a que sua causa seja apreciada. Esse direito
compreende ... o direito de presunção de inocência até que a sua
culpabilidade seja reconhecida por um tribunal competente.»
62. O Tribunal salienta que a presunção de inocência significa que qualquer
pessoa suspeita ou acusada de um delito é, a priori, presumida como não
o tendo cometido, até a sua culpabilidade ser reconhecida por uma decisão
judicial irrevogável17. Daí resulta que o âmbito do direito à presunção de
inocência abrange todo o processo, desde a detenção até à pronúncia da
decisão.18
63. O Tribunal considerou que o respeito pela presunção de inocência não é
apenas vinculativo ao tribunal penal, mas também a todas as outras
autoridades judiciais, parajudiciais e administrativas.19
64. O Tribunal considera que a presunção de inocência é violada quando, sem
que tenha sido estabelecida a culpabilidade judicial de um indivíduo, uma
decisão judicial ou administrativa sugira que o mesmo é culpado. Na
mesma óptica, a presunção de inocência é violada quando as autoridades,
incluindo as autoridades judiciais, realizam actos que levam o público a
acreditar na culpabilidade dos acusados.
65. O Tribunal recorda que, no presente caso, o Decreto de 22 de Julho de
2019 diz respeito a duas categorias de pessoas, a saber, pessoas cuja
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Uma decisão irrevogável é uma «decisão que não é passível de recurso». Distingue-se de um
acórdão final, que é um «acórdão que resolve um litígio principal ou incidental, removendo o juiz da
jurisdição e tendo a autoridade de res judicata. Continua a ser objecto de recurso. (Lexique des termes
juridiques, 25th edition, 2017-2018, Serge Guinchard, Dalloz (edit).
18 Sébastien Germain Ajavon c. República do Benim (29 de Março de 2019 (mérito) 3 AfCLR 130, §
190; Houngue Eric Noudéhouenou c. República do Benim, Petição N.º 003/2020, Acórdão de 4 de
Dezembro de 2020 (mérito), § 100.
19 Ajavon, ibid, § 192; Noudéhouenou, ibid, § 101.
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