63. No tocante à competência do tribunal que impôs a sanção, o Tribunal constata que o Tribunal Superior é provido de competência jurisdicional para julgar casos de homicídio.12 Neste caso concreto, o Peticionário foi constituído arguido pelo crime de homicídio perante o Tribunal Superior e condenado à pena capital pelo mesmo Tribunal, o que implica que a pena foi aplicada por um tribunal com competência legal para tal. 64. Por último, quanto à existência de garantias processuais na aplicação da pena de morte, o Tribunal observa que os tribunais nacionais condenaram o Peticionário à pena capital pelo crime de homicídio na sequência da sua condenação. Por outro lado, o Tribunal não identificou qualquer vício no processo que resultou na condenação do Peticionário. Não obstante, o Tribunal entende que a imposição obrigatória da pena de morte, conforme preceituado no Artigo 197.º do Código Penal do Estado Respondente, retira dos tribunais nacionais qualquer margem de manobra na aplicação da pena capital, resultando numa privação arbitrária da vida. Ao retirar a um magistrado o poder discricionário de impor uma pena com base na proporcionalidade e na situação pessoal de uma pessoa condenada, a pena de morte obrigatória não cumpre os requisitos de um processo penal justo. 65. Nestas circunstâncias, o Tribunal considera que a pena de morte obrigatória, tal como prescrita pelo Artigo 197.º do Código Penal do Estado Demandado, não cumpre o terceiro critério para a avaliação da arbitrariedade da sentença. Por conseguinte, o Tribunal decide, em conformidade com a sua jurisprudência, que a pena de morte obrigatória configura uma privação arbitrária do direito à vida, conforme estabelecido no Artigo 4.º da Carta. Número 1 do Artigo 108.º da Constituição da Tanzânia – [o Tribunal Superior] detém competência jurisdicional original em litígios cíveis e criminais. 12 17

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