indivíduos».25 O Tribunal só intervém quando há um erro manifesto na
avaliação dos tribunais nacionais que resultaria em um erro judicial.
80. Neste caso em particular, consta dos autos que a Acusação convocou cinco
(5) testemunhas. No entanto, o Tribunal Distrital optou por fundamentar a
sua decisão apenas nos depoimentos prestados por três (3) Testemunhas
da Acusação (PW 1, PW 2 e PW 5), optando por ignorar os depoimentos
de PW 3 e PW 4, devido a preocupações quanto à sua fiabilidade.
81. Além disso, com referência específica ao Peticionário, o tribunal de primeira
instância invocou a doutrina da posse de propriedade roubada
recentemente. Esta decisão foi motivada pelo facto de o Peticionário ter
sido encontrado na posse dos artigos roubados apenas duas horas após a
ocorrência do incidente. É relevante que, perante o tribunal de primeira
instância, o Peticionário não tenha apresentado qualquer explicação sobre
as circunstâncias que levaram a que estivesse na posse desses artigos.
82. O Tribunal Superior discordou do Tribunal Distrital quanto aos seus
argumentos em relação à precisão dos depoimentos prestados por PW 1,
PW 2 e PW 5, julgando-os como insuficientes. No que concerne
particularmente a PW 2, a confissão foi anulada por ter sido obtida de
maneira ilegal mediante coerção. No entanto, o Tribunal Superior ainda se
baseou na doutrina da posse de propriedade roubada recentemente e
confirmou a condenação do Peticionário.
83. O Tribunal de Recurso também procedeu a uma análise exaustiva dos
autos processuais produzidos durante o processo perante o tribunal de
primeira instância e perante o Tribunal Superior. Chegou à conclusão de
que os depoimentos da terceira e quarta testemunhas da acusação (PW 3
e PW 4), que foram excluídos da consideração pelos tribunais inferiores,
eram «passíveis de correcção».26 O Tribunal concluiu que a matéria era
25
26
Ibid.
Acórdão do Tribunal de Recurso, pág. 6.
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