140. O Tribunal recorda a sua jurisprudência anterior de que um despacho só
pode ser exarado em circunstâncias específicas e imperiosas, como
quando «um Peticionário demonstrar suficientemente ou o Tribunal por
iniciativa própria determinar, a partir das suas constatações, que a
detenção ou a condenação do Peticionário teve inteiramente como base
considerações arbitrárias e o seu contínuo encarceramento resultaria na
má administração da justiça.»42
141. No presente caso, sem minimizar a gravidade das violações estabelecidas,
o Tribunal considera que as violações não afectaram de forma manifesta
os processos que levaram à aplicação da pena e condenação do
Peticionário, na medida em que ele teria estado numa situação diferente
caso as violações em referência não tivessem ocorrido. Além disso, o
Peticionário não demonstrou suficientemente, nem o Tribunal comprovou,
que a sua condenação e sentença tinham sido baseadas em considerações
arbitrárias e que ele continuava encarcerado ilegalmente.
142. À luz dos factos e circunstâncias enunciadas supra, este pleito é, portanto,
rejeitado.
ii. Não recorrência
143. O Peticionário pleiteia que o Tribunal ordene ao Estado Demandado que
garanta a não recorrência das violações contra ele.
*
144. O Estado Demandado, por sua vez, pleiteia que o Tribunal declare que o
Peticionário foi legalmente detido na sequência de um julgamento imparcial
e devidos procedimentos da lei.
***
42
Evarist c. Tanzania, ibid, § 82. Vide também Jibu Amir (Mussa) e Outro c. Tanzânia (mérito e
reparações), supra, § 96; Mgosi Mwita Makungu c. República Unida da Tanzânia (mérito) (7 de
Dezembro de 2018) 2 AfCLR 550, § 84.
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