122. O Tribunal recorda que a essência da presunção de inocência é que o
arguido seja considerado inocente em todas as fases do julgamento até à
sentença.18
123. A presunção de inocência defende que o ónus da prova além de uma
dúvida razoável recai à acusação e qualquer dúvida deve beneficiar o
acusado. Nesta conformidade, em procedimentos como requerimentos de
liberdade condicional, a presunção de inocência favorece, regra geral, a
concessão de liberdade condicional, enquanto negar provimento a
requerimentos de liberdade condicional deve ser a excepção.
124. O Tribunal observa que a presunção de inocência exige garantias
processuais,
incluindo
o
direito
de
não
se
auto-incriminar
e
pronunciamentos prematuros pelo tribunal de primeira instância ou outros
funcionários quanto a culpabilidade da pessoa acusada.19
125. O Tribunal toma nota da decisão do Tribunal Supremo do Gana de que …
a concessão de liberdade condicional é uma das ferramentas disponíveis
ao tribunal para garantir que um suspeito ou um acusado, conforme o caso,
seja garantido a presunção de inocência até que o tribunal declarar a sua
culpabilidade.
A presunção de inocência compreende a liberdade contra a detenção
arbitrária e também serve como uma salvaguarda contra a punição antes da
condenação...20
126. O Tribunal toma nota ainda do argumento do Estado Demandado de que a
restrição prevista no artigo 148(5) do CPA tem por objectivo salvaguardar
a segurança, a saúde, o interesse público e os direitos e liberdades de
pessoas inocentes.
16
Victoire Umuhoza c. República do Ruanda (mérito) (24 de Novembro de 2017), 2 AfCLR 165, § 83.
ECtHR Allenet de Ribemont c. France, Judgment, Merits and Just Satisfaction, App No 15175/89,
A/308, (1995) 20 EHRR 557.
20 Supra, nota 30.
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30