significativo para obter uma verdadeira independência". De acordo com o Queixoso, o Relatório refere que a interferência no sistema judicial é mais flagrante ao nível do Estado, onde existem relatórios de funcionários administrativos a interferirem com as decisões do tribunal, despedindo juízes, ditando decisões aos juízes, reduzindo os salários dos juízes e recusando-se deliberadamente a fazer cumprir determinadas decisões dos tribunais. 37. O Queixoso também alega que levar o caso aos tribunais etíopes iria prolongar indevidamente o processo, uma vez que o sistema judicial etíope sofre de um sistema complexo de tribunais múltiplos que carecem de coordenação e recursos, incluindo "condições de serviço sombrias, falta de pessoal, falta de formação adequada, infraestruturas debilitantes e problemas logísticos". O Queixoso afirma que os procedimentos do tribunal levam anos a produzir resultados e concluiu que o sistema judicial do Estado Respondente está tão subfinanciado que as acusações seriam quase impossíveis, observando que, até à data, não tinha sido tomada qualquer medida para processar qualquer uma das Forças de Defesa Etíopes ou funcionários do governo pelas atrocidades que cometeram contra os Anuaques. 38. O Queixoso também alega que os Anuaques temem pela sua segurança ao apresentarem o caso na Etiópia, acrescentando que não existem Anuaques formados como advogados que possam levar o caso aos tribunais etíopes. O Queixoso nota que o sentimento esmagador na região de Gambella e dos Anuaques que fugiram do país é de que advogados não-Anuaques na Etiópia não estariam dispostos a aceitar o caso devido à potencial perseguição que enfrentariam, bem como às insuperáveis probabilidades de conseguir uma solução justa. O Queixoso acrescentou que os anuaques que permanecem na região de Gambella continuam a sofrer execuções extrajudiciais, tortura, violação e detenção arbitrária por parte das autoridades do Estado Respondente, acrescentando que vários deles foram ameaçados e advertidos especificamente contra a prossecução de um processo contra o Estado Respondente. O Queixoso referiu que, em Janeiro de 2005, o Estado Respondente ameaçou os líderes anuaques, declarando que qualquer pessoa que tentasse manchar a reputação do Estado Respondente seria tratada. O Queixoso concluiu afirmando que levar o caso ao Estado Respondente só poria ainda mais em perigo as vidas dos restantes Anuaques na Etiópia. 39. O Queixoso acrescentou que o Estado Respondente tinha sido notificado e dispunha de tempo suficiente para remediar as violações dos direitos humanos contra a Anuak, mas não o fez de todo. O Estado Respondente foi notificado das violações, mas optou por não tomar medidas para pôr termo às atrocidades ou responsabilizar as suas forças. O Queixoso acrescentou que a resposta do Estado Respondente aos massacres de Dezembro de 2003 na Região de Gambella foi inadequada e desonesta. Que, sob pressão internacional, o Estado Respondente criou uma Comissão de Inquérito para investigar os homicídios, contudo, de acordo com o Queixoso, o inquérito foi parcial e ineficaz e não cumpriu os padrões internacionais de uma investigação independente. Alegações do Estado requerido sobre a admissibilidade 40. O Estado Respondente alega que os casos dos envolvidos nas alegadas violações ocorridas na Região de Gambella estão atualmente pendentes no Tribunal de Justiça da Comarca Federal e, portanto, o Respondente argumentou que os recursos internos ainda

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