Comunicação 318/06 - Iniciativa de Justiça da Sociedade Aberta v. Costa do Marfim 1. A Secretaria da Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos (a Secretaria) recebeu uma queixa em 23 de janeiro de 2006 apresentada pela Open Society Justice Initiative Organization com sede em Nova Iorque, nos termos do artigo 55 da Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos (a Carta Africana). 2. A queixa foi apresentada contra a República da Costa do Marfim (Estado Parte da Carta Africana, doravante referido como o Estado requerido ou Costa do Marfim). 1 3. A queixa alega que durante 33 anos, ao alcançar a independência, a Costa do Marfim experimentou prosperidade econômica como o principal produtor de cacau do mundo, sob a liderança do Presidente Félix Houphouët-Boigny. Este último promoveu uma política de tolerância étnica e acolheu os camponeses migrantes dos países vizinhos. Entretanto, de acordo com o reclamante, o país foi desestabilizado como resultado do surgimento de divisões políticas baseadas em considerações geográficas, religiosas e étnicas. 4. Segundo o reclamante, o Presidente Henri Konan Bédié, que sucedeu o Presidente Houphouët-Boigny, aprofundou as divisões ao introduzir o conceito de "ivoirité", cuja implementação significou que a nacionalidade marfinense só poderia ser obtida por pessoas nascidas na Costa do Marfim por dois pais marfinenses. Tal política, segundo o reclamante, afetou 30% da população, incluindo pessoas nascidas na Costa do Marfim e que tinham crescido e vivido toda a sua vida no país. O resultado desta situação, entre outros, foi uma exclusão sócio-política através da proibição de acesso à terra, de votação e de exercício de cargos públicos. Segundo o denunciante, a política de "ivoirité" foi iniciada para excluir Alassane Dramane Ouattara, natural do norte da Costa do Marfim, da etnia majoritária Dioula, que também havia ocupado o cargo de Primeiro Ministro sob o Presidente Houphouët-Boigny, e considerado seu sucessor natural, de concorrer a um cargo político. 5. Essas tensões étnicas e religiosas resultaram em um golpe de Estado em 1999 que levou à tomada do poder pelo General Robert Guéi, que continuou com a agenda de exclusão política iniciada sob o governo do Presidente Bedie. Antes das eleições presidenciais de 2000, o Governo do Presidente Guéi introduziu um 1A República da Costa do Marfim ratificou a Carta Africana em 6 de janeiro de 1992.

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